quinta-feira, outubro 08, 2009

Um dia para chamar de meu!

Eu sou muito estranha, ou melhor, autêntica! Gosto de me deitar em cima da mesinha de cabeceira ao lado do sofá para assistir os seriados estrangeiros. Adoro o som de uma língua enrolada. Tenho tara pelo pote de torradas. Também aventuro-me em outros paladares, diferente da ração nossa de cada dia: descobri manga e cenoura cozida, muito bom!

E por falar nos meus gostos tem: Ah, a chuva! Pingos grosso e sem caráter que caem no jardim e formam poças, deixam a grama molhada e o meu pelo todo grudento! Eu adoro a chuva. Aquele cheiro de cachorro molhado que se conhece à distancia me anuncia quando volto para dentro de casa. Depois, as minhas pegadas na lajota encerada me denunciam. É, pessoal, Bebelily chegou. Esbaforida, até mesmo porque chuva cansa como praia, me dirijo até a cozinha e nado no pote de água, uma vez que não consigo sorver a água delicademente. Travo uma luta com a água, bebo, mordo, me molho, saio da batalha pingando pelo chão, mais um rastro. Perfeito! Agora que estou desgrenhada do jeito que eu gosto posso me atirar no sofá branco.

Hoje é dia de rainha! Lá vem mamãe com a brincadeira mais divertida do mundo. Impressionante como ela ignora toda a minha aparência de cão imundo, isso deve ser amor de mãe, aposto. Vermelho, verde, amarelo e laranja, quase uma aquarela. As cores enfileiradas. Depois, as cores embaralhadas: verde, amarelo, laranja e vermelho. Quisera eu poder comer todas essas cores e ficar colorida. Mas só posso escolher uma. Sinto o cheiro de todas elas, cada cor é um sabor: cenoura, fígado, espinafre e leite. Minha boquinha é pequena, embora a minha gula seja enorme. Não tem jeito terei que escolher um dos biscoitos. Minha mãe se diverte, tentando descobrir minhas preferências, mas não sigo uma ordem lógica, comeria todos se tivesse oportunidade. Faria trapaças. Mas não dá. Terei que esperar a segunda rodada, a noite promete!

quinta-feira, outubro 01, 2009

Roubei, é meu!

Área limpa. Finalmente consegui ter acesso ao Bebelices. Foram meses de tentativas frustradas. Mas agora a Lily foi ao médico e a casa é minha, pelo menos pelos próximos 30 minutos. Para quem não me conhece eu sou o Floc, um Lhaso Apso. Teclo devagar, pois não tenho intimidade com esse teclado luminoso. Eu não nasci aqui no Vale dos Esquilos. Vim do Sul, morava numa casa com mamãe e papai em Florianópolis. Era filho único. Lembro de quando papai me levava para passear na minha coleira azul. Bons tempos. Como eu era feliz! Pois é, casal de jovens, uma vida inteira pela frente. Não tenho o que reclamar: amor e carinho nunca me faltaram. O futuro para mamãe era promissor: trabalhar na China! Papai mal acabaria a faculdade, iria para lá, ficar com ela. E, eu cuidaria da casa.

No entanto, não foi bem assim, fui mandado para casa da tia da minha mãe, em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro. Não nesses termos "mandado". Fui convidado a ficar lá até que mamãe pudesse resolver as coisas na China e voltar para tocar a vida no Brasil. Nos primeiros três meses, eu ainda esperava a volta dela. As notícias chegavam via Skype, a vida lá ia bem e o trabalho só aumentava. Preciso falar que o meu temperamento mudou? Tornei-me um cão estressado e extremamente carente. Num primeiro momento, atacava as canelas dos desconhecidos, e depois, implorava por carinho.

Com quatro meses de casa, um ser muito especial entrou na minha vida, a Lily. Uma bolinha de pelo andante que queria tirar sarro da minha cara. A deixei me fazer de gato e sapato. Era bom ter amigos. Era muito bom tê-la. Ela me diverte. Gosta de tudo que está comigo. Se eu estou comendo de um lado da vasilha, você pode apostar que é nesse mesmo lado que ela vai querer comer. Se eu estiver brincando com o disco verde, ela vai querer brincar com o disco. A vida dela é isso: me imitar.

Os seis meses se transformaram em um ano. Fui ficando. De emprestado fui me tornando parte da casa. E, nisso passaram-se 3 anos e meio… opsss, preciso ir, a madame chegou! Quando conseguir outra brecha, conto mais um pouco da minha história.

Medos

Quando era criança você certamente deve ter ouvido inúmeras vezes de seus pais: “Comporte-se, ou o homem do saco vem te pegar!”... “Cuidado com o Bicho Papão, ele adora crianças rebeldes.” ... No meu caso, como sou muito arteira, mamãe me conta a história dos cachorros da beira da estrada. Segundo ela, cachorros maus e indisciplinados são deixados na estrada, e acabam, sendo aplastados no asfalto por algum pneu de caminhão. É por isso, que quando ela me coloca no carro do banho eu morro de medo de terminar na estrada.

Tuitando ou Twittando - parte I

Minha caixa de e-mail vive cheia. Lotada de jornalistas querendo me entrevistar, outros querendo fazer um perfil. Mas minha agenda está fechada, não quero abrir mão da minha paz. Posto meus textos aqui por simples prazer. No entanto, um e-mail especial me fez aceitar o desafio desse post. Os criadores do Twitter, aquela rede social, me pediram para simular como seria um dia meu no Twitter. Vamos ver como vou me sair....



07h20: Pessoal, acordei! Ainda estou um pouco preguiçosa. Vou ficar um pouco mais na cama.


07h40: Hora do meu "banho de gato". E, uma desculpa para fazer barulho para mamãe acordar.


07h58: Possuo tédio! Todos dormem! Floc, o cheio de sono, nem se mexe!


08h08: Adoro quando a hora "repete" o minuto. Me concentro para fazer um pedido.


08h11: Mais tédio! Hora de zaralhar e fazer ruídos para acordar o pessoal. Vamos começar pelos grunhidos.


08h12: Está fazendo efeito. Mamãe se mexe na cama. Hora do ataque! Subo na cama e faço o corpinho estirado da mamãe de passarela.


08h13: Me instalo entre ela e Janjão, o meu pai na forma de urso. Hummm esse aconchego dá um soninho.


08h45: Tirei uma soneca que foi interrompida pelo telefonema de papai. Mas, pelo menos, mamãe gosta quando ele a acorda. E lá se foi ela para o computador.


08h47: O Floc, o cheio de sono acorda!


08h49: Hora de um mini passeio pelo jardim, ops, banheiro.


08h55: Estaria na hora do meu remedinho? Olho fixo para mamãe e com a força do pensamento tento fazer com que ela se lembre de tirar aquela fatia de presunto da geladeira, embalar o comprimidinho... hummmm


08h58: Sem chance. Ela está se desmanchando para o papai via MSN. Ê que saco! "Pai vai trabalhar!"


09h20: Estardalhaço total. Eu e Floc estamos eufóricos, o pão chegou! Vamos Floc, para a fila do pão!


09h22: "Bebelily, mamãe está chamando!" Ela realmente se supera! Tem que me chamar na hora do meu pão? Uma vez na fila do pão, ou eu ganho naquela hora, ou eu não ganho!


09h23: Perdi o meu pão! MaUUUUU humor supremo! Argh!


09h34: Uma vitória! Consegui "seduzir" o meu pão. Eu e meus olhares!


09h46: Hora da soneca nos pés da vovó.


11h00: O dia já pode começar!


11h12: Sessão "Beauty and Care" com a mamãe. Escova daqui, puxa dali. Desembola acolá. Ai, mão, aí não, deixa minha orelhinha fora dessa guerra.... Por favor, passa o outro lado da escova, é macio!


11h15: NÃAAAOOO! O pente fino não! Papai socorro! Liga para mamãe! Interrompa esse ato insano! Sr. LG Shine 970 ME toque alguma coisa, fala! Alguma coisa acontece por favor!


11h22: Derrotada! Cansada! Entregue! Tudo, menos desarrumada!


11h36: Um passeio pelo jardim. Aproveito para conversar com os passantes da rua. Lato incessantemente, até ficar rouca para ser mais exata.


11h40: Sede, muita sede! Não sei se notaram, mas eu sou uma cadelinha muito intensa. Eu tenho muita sede, muita fome, muito tudo.


11h54: Livros abertos sobre a mesa. Mamãe estudando, ou pelo menos fingindo. Amo deitar em cima deles, mas eles têm que estar abertos.


11h55: Vejo o movimento da casa de cima da mesa. O Floc, coitado, que não tem permissão para subir fica só me observando.


11h59: Vovó está espumando de raiva. Paulo foi "recontaminado" pela gripe suína. Ah, me poupe! Nem eu, um exímio ser vivo de quatro patas e pelos, caio nessa! É cada um que aparece nesse Vale dos Esquilos.


12h00: Metade do dia. Possuo mais tédio!


12h21: Contemplo a vida ao ar livre. Deitada na varanda da sala. Vozes, muitas vozes, ruídos, céu azul. E, é claro, o cheirinho de cozinha em funcionamento, desperta o buraco dentro de mim. Me sinto vazia. Tenho fome! Muita fome!


12h43: E não é que passeando pelo jardim eu não encontrei "A Tobias", o felino forasteiro que adotou a minha casa, tomando sol no meu deck da minha piscina. Quanto abuso! (Percebam, além de intensa, sou possessiva também!)


12h44: Tomada por um impulso, persigo o gato. A gente se embola. A multidão, composta apenas por mamãe, vibra. E um grito parece vir do útero: "Lily, Lily". Sou amada pela torcida, sou a favorita! Só dá eu! Um golpe de esquerda, outro de direita, recuo, me defendo. Parto para o contra-ataque.


12h45: O combate continua! A multidão de uma só voz se aproxima cada vez mais enfurecida. Tenho que ser rápida! Êxtase! Clímax! Adrenalina! De repente, minhas patinhas saem do chão, flutuo no ar. Ganhei super poderes. Agora sou a "Super Bebelily"


12h46: Aciono o meu golpe final. Meu corpo não obedece, e cada vez sinto-me mais distante do chão. Ainda estou quente, raivosa, enfurecida com o felino forasteiro. Estou praticamente voando! O que está acontecendo?


12h48: Era mamãe me levando para dentro de casa. Ou seja, mais uma tentativa frustrada de ser a heroina super poderosa. E, óbvio, junto com mamãe, vem o puxão de orelha: "Bebelily, quantas vezes eu já disse para você não... blá blá blá.."


13h00: Hora de descanso!