quinta-feira, dezembro 13, 2007

Ah, Devoraria O Mukito

Artista: Jader Dimenor Papuhkita Schumacher Streit

"Mukito estava dando o seu passeio diário pelas ruas da cidade e se deparou pela primeira vez com um cartaz de uma peça de teatro. Ficou curioso e ao mesmo tempo encantado pelas máscaras. Chegou em casa feliz e perguntou para a d. Mukita: "Mamãe, posso ir ao teatro?". D. Mukita, sem tirar os olhos de sua revista semanal de novelas disse em tom acolhedor: "Claro, meu filho". Mukito ficou todo feliz com a aprovação da mãe. Mas logo depois D. Mukita complementou: "Só cuidado com as palmas."

Tive que dividir com vocês essa ilustre obra de arte da minha tia Jader, acompanhada de uma piada infame - tudo bem, não é todo mundo que tem o meu senso de humor. Divido também a minha ilustre e incontrolável vontade de colocar os meus dentinhos e minhas patas nesse trabalho composto por papel cartão e papel paraná. Essa dupla de papéis renderiam a roída mais que perfeita... Fico com água no boca e aflição nos dentes só de pensar.

Infelizmente, minha família, boba nem nada, colocou um repelente contra mim: a altura. Também, né? Depois que eu mostrei meu potencial e deixei o projeto de Jesus em pedacinhos. Vamos a os fatos: primeiro, que ela estava desenhando um Cristo com sunga vermelha, já achei aquilo um despautério, por mais que eu não seja católica. Segundo, eu queria brincar também. Adoro um papelzinho. E o último e o mais forte dos argumentos: depois de pronto, o trabalho foi deixado na minha área de lazer – em cima do sofa, sob minha jurisdição. Não pensei duas vezes, e transformei o Cristo em pedacinhos.

Moral da história: Camarão que dorme a onda leva. Trabalho que dá mole, a Lily pica.

domingo, dezembro 02, 2007

A saga de Bebelily IV: minhas ocorrências

Acordei ainda amarrotada. Já tinha carregado todas as minhas energias. Estava pronta para mais um dia de travessuras e brincadeira. Olhei a minha volta. A casa estava silenciosa. Todos ainda dormiam. Que horas deveriam ser? Era cedo. Bem cedo. Ainda não tinha o aroma de café invadindo o meu quarto. O pote de torradas ainda estava fechado. O silêncio era ensurdecedor, estava me deixando aflita. Nem a minha amiga Garfield miava.

Levantei. Fui dar uma volta pela casa. Todas as portas estavam fechadas para mim. Todos dormiam, inclusive o meu companheiro Floquinho. Fui ficando triste, entendiada e chata. Todos dormiam e o sol já raiava. O galo da vizinha já estava no seu décimo terceiro cocoricó. E eu acordada não podendo brincar com ninguém. Aquilo era algum castigo?

Pensei no meu dia anterior, teria feito alguma bobagem? Hummm, subi em cima da mesa e resolvi brincar com um pacote de pão de batata. Eita brincadeira apetitosa. Comecei mordendo o saco. Aí, ele rasgou, o cheiro era enlouquecedor. Resultado comi quase o saco inteiro. Minha avó ralhou comigo, mas nada quee justificasse esse longo voto de silêncio. Ela ainda tentou rogar uma praga para que eu tivesse uma dor de barriga, mas foi em vão. Tenho estômago de avestruz.

Durante o dia anterior também teve um episódio triste. Eu juro que sou inocente. Era uma manhã de terça-feira. A chuva tinha dado uma tregua. Fui dar o meu passeio matinal pela casa. Cumprimentar os passarinhos, saudar as pessoas que passavam na rua, cheirar as flores, brincar com uma ou outra folha seca que caia, me perder no pêlo de urso - uma espécie de tapete verde, muito macio. Eram tantas coisas que fazia por aquele jardim. Aquilo tomava uma boa parte do meu dia. Tantas distrações.

Quando fui fazer a ronda pelos coquinhos dos esquilos - sim minha casa tem esquilo. Não é ficcção. Avistei entre um ou outro coquinho ruido algo peludo, escuro, que não consegui identificar de longe. Aprumei o faro e cheguei mais perto. Ajustei o meu ângulo focal e dei mais zoom. Meu coração batia cada vez mais forte a cada passo dado. Constatei que era meu amigo Godofredo, um esquilo que dividia os prazeres daquele lar comigo.

Ele estava estirado no chão. Teria caido da árvore e batido a cabeça? Cheguei mais perto. Nenhum sinal de vida, a barriguinha dele nem subia nem descia, estava estática. Dei-lhes umas focinhadas e nada. É, Godofredo havia falecido naquela fatídica manhã de terça-feira.
Mas não era hora para chorar. Tinha que providenciar um enterro digno para meu amigo e antes tinha que descobrir a causa mortis dele. A la Diana Caçadora examinei a área com cuidado. Sem fazer movimentos ousados me embrenhei no pêlo de urso e observei ao meu redor. Notei que havia pegadas do chão. Eram menores que as minhas. Mais safas que as minhas. Mais meticulosas que as minhas, mais rempli de soi-même que as minhas. Eram pegadas de felino. A Nina Garfield não teria essa sagacidade, a Juçara vive trancada com a minha avó - tenho pena daquela gata. Que vida regrada ela leva!

No meio das minhas divagações vi um chumaço de pêlo preto que só poderia ser do gato preto que andava rondando a casa. Guardei essa informação e fui cuidar de Godofredo.
Carinhosamente abocanhei o esquilo de corpo miúdo e fui levar para alguém fazer alguma coisa por ele. A primeira impressão foi horrível, me acusaram de assassinato. Quase peguei prisão perpétua. Eu só queria dar um enterro digno para ele. Até o Floc parou de falar comigo. Minha avó me reprimiu duramente. Queria me deixar para fora de casa.

Uma porta se abriu interrompendo os meus pensamentos. Era D. Gelsa com o saco de pão e esperança de uma manhã cheia de brincadeiras. Será que ela me daria um pedacinho de pão?

sexta-feira, novembro 30, 2007

Saga de Bebelily III: ré confessa


A lista de reclamações era grande. Minha tia Virgínia sugeriu colocar um quadro negro na entrada da casa só com as minhas ocorrências para que quando a minha mãe chegasse visse o que eu estava aprontando. Minha avó interferiu, disse que um quadro negro seria pouco.

O que incitou a minha fase de rebeldia foi quando a minha avó disse que iria me colocar de dieta. Fiquei ansiosa queria comer tudo que nunca tive vontade. Ué gente é como uma mulher em dieta, qual é o preconceito: é só porque eu tenho quatro patas?

Comecei subindo na mesa da sala para pegar torradinha, depois ia para a outra mesa da sala de jantar e subia na cadeira para esperar a torradinha de algum comensal - era educada. Daí, começaram a controlar a minha quantidade de torradas. Meu tio proibiu.

Então, como uma shih tzu selvagem resolvi me rebelar. Subia na mesa sozinha enquanto os membros das casa estavam recolhidos na siesta. Muitas vezes minha avó me pegou em cima da mesa da sala de jantar deitada, contemplando a paisagem enquanto degustava um queijo minas esquecido ou um saco de pão. Que mico quando me pegavam em flagrante! Abanava o rabinho em tom de travessura de cachorro. Tentava fazer uma estripulia, mas era em vão, o esporro comia solto.

As reclamações chegavam até a minha mãe via telefonia celular. Mas ela nada fazia... achava graça, podia ouvir as risadas do outro lado da linha e a frase clichê, " é mesmo mãe, a Lily fez isso?".

Com a proximidade do Natal, o pessoal da casa fez uma conferência para saber a localização da árvore de natal. Essa movimentação toda por minha causa. Foi um verdadeiro evento regado a vinho e champagne. Até a posição e a altura dos enfeites foram tópicos de discussão. Estavam com medo que eu derrubasse a árvore inteira por causa de uma bola dourada. Realmente, confesso que é tentador. No último Natal não pude mostrar as minhas habilidades. Eu era muito pequena. O máximo que fiz foi tirar um enfeite de uma estrela. Nem era uma bola, eu ficava de olho grande nelas. Sentadinha no pé da árvore, lançava o meu olhar mais sedutor e esperava que elas caíssem como maças. Mas era um gasto de energia em vão.

Outro tema muito debatido foi onde colocar os presentes. Antes de eu vir para este lar eles ficavam no chão. Para vocês terem uma noção no último Natal eu nem conseguia subir no sofá, era quase um bebe de colo. Minha mãe comprou presente para mim, colocou na árvore e ela queria que eu descobrisse qual era o meu pacote. Missão impossível só faltou o Tom Cruise aqui.

Enfim, cresci, tempos modernos, já sou uma mocinha, tenho um aninho. Mesmo com o comportamento indevido fiz a minha lista de natal: quero não tomar banho por 6 meses, quero que a fábrica de torradinhas me indenize com muitos pacotes até o final da minha vida, quero brinquedos novos - os meus já estão nojentos, quero uma cuba inteira de gelo só para mim...

Enquanto eu fazia tudo isso, o Floc - meu companheiro Lhasa Apso, chorava por não conseguir infringir as regras... e assim me dedurava para o lar do Vale dos Esquilos. Infelizmente esse tal de Floc não aceita subornos. É, ele teve criação sulista. Não sabe brincar

Cenas do próximo capítulo: Irei contar a história de Garfield, quero dizer, da Nina, uma gata vira-lata, velha e preguiçosa que se acha deus e que teve um sopro de tormento quando eu - Lily Bin Laden, entrei na vida dela.

quinta-feira, novembro 08, 2007

A Saga de Bebelily II: Queridos, cheguei


O caminho até a minha casa definitiva foi longo. Cruzei o Rio de Janeiro inteiro. Subi a Serra e cheguei aos alpes. Esse trajeto pode ter influenciado para sempre a minha personalidade. No carro, queria morder o volante. Se a minha mãe pudesse, teria colocado o cinto de segurança em mim, mas em vez disso, me colocou num tal de Lilymóvel – um engradado coberto com saco plástico, alguns cueiros, fraldinhas de nenem e brinquedinhos.

Enquanto minha mãe trabalhava, meu tio cuidou de mim. Minhas primeiras horas de contato com ele já me renderam o apelido de trator. Ele não queria brincar comigo. Então mostrei toda a minha auto-suficiência. Sai pela casa arrastando uma mala. Quando minha mãe voltou do trabalho a lista de reclamações era grande. Já era noite quando cheguei na casa da minha avó – minha atual residência.

Fui recebida com um abraço gostoso de vó. Meus outros tios me lançaram um olhar de interrogação. Vi também um brinquedo gigante branco, era peludo e se mexia – era o Floc, um lhasa apso filhinho de papai. Ele queria me cheirar, mas minha mãe ficou resistente, com medo que ele me mordesse ou me fizesse algum mal. Tão pronto ela me colocou no chão, me arrebitei toda, abanei o rabinho e danei a corer pela casa com o meu novo brinquedo de vontade própria. Era divertido, saia pela casa arrastada na orelha ou no rabo dele. Não dava sossego. Quando ele queria distância, subia no sofá, pois sabia que eu não conseguia. Só consegui subir no sofá quando completei mais ou menos 6 meses.

Deram-me o nome de Lily. Gostei e fiquei aliviada quando soube das outras possibilidades. Milady. Lady. Não tinham nada a ver comigo. Na minha primeira noite no meu novo lar tive insônia. Acordei cedo e queria brincar. Minha mãe mesmo dormindo brincava comigo. Tinha uma coleção de brinquedos de invejar qualquer canino. Tudo cor de rosa. Entretanto, trocava qualquer um deles por um bom pé de meia ou uma folhinha seca no jardim.

Corria pela casa como um porquinho da India. Não gostava de colo, nem de apertos. Meu negócio era a terra, o jardim e o pêlo de urso. Fui contra tudo o que minha avó e minha mãe pesquisaram. Não era calma, tampouco tranquila. Tinha e tenho gostos esquisitos: chocolatinho de gato, pedras de gelo e beber água da mangueira. Ah, tem também uma flor no jardim que eu adoro. Nunca vi o Jorge Tadeu depois de come-la, a única vez que me deu onda, foi quando fui levada às pressas para a clínica veterinária, entalada. Fora isso, nada demais.

Meu lema com o Floc é disputar e concorrer. Somos tão amigos que quando entrei no cio nem quis me relacionar com ele. Confesso que ele ficou magoado. Mas não teve química. Minha mãe podia comprar dois brinquedos ou dar dois biscoitos: um para mim e outro para ele. Não adiantava, eu queria tudo que estivesse na boca dele. Depois que ele largava, perdia a graça.

Sou espivitada, alegre, brincalhona e implicante. Só não estou inquieta na hora que durmo. Sempre carrego algo na boca. Minha avó ralha comigo. Quando ela tira o cochilo da tarde aproveito para arrastar as sandálinhas dela pela casa. Não as destruo, apenas carrego. A destruição fica a cargo do meu amigo e parceiro Floc – by the way, formamos uma bela dupla, enquanto eu roubo, ele destrói. É uma excelente parceria. A gente corre pela casa, tem horas que quase derrubamos a bisa no chão, fazemos terrorismo. Ela se segura nas paredes de forma tão engraçada.

Sou boa praça. Das poucas vezes que saio na rua penso que todo mundo é meu amigo. Mas até ir para a rua é um sofrimento. Me tremo toda. Ouvir a chave do carro e logo depois minha mãe me chamando é fria. Finjo que não escuto, me escondo, mas ela sempre me acha e lá vou eu em direção ao banho. Quieta, cabisbaixa, me tremo toda. Nem parece que sou eu. Teve uma vez, numa dessas sessões de banho, que fiquei indignada. Briguei com a minha mãe. Briga feia. Não falei com ela quando foi me buscar, nem abanei o rabo. Em casa, prossegui o meu voto de silêncio. Fiz festa para todos, menos para ela. Ela tentou me comprar com torradinhas – que eu adoro. Como foi difícil resistir. Mas segui a minha dieta estrita, apenas ração e água. Percebi que era inevitável lutar, fazer pirraça e sacrificar as minhas torradinhas: cedi as tentações. E comi a torradinha.

Cenas do próximo capítulo: Ai Ai, minha avó diz que estou gorda. Quer me colocar de dieta.

sexta-feira, outubro 19, 2007

A saga de BebeLily I


Por fim, nasci. Foram 2 meses apertados dentro da barriga da minha mãe. Tive que dividir um espaço minúsculo com os meus outros irmãos. A convivência estava se tornando difícil. Eu cresci demais, me desenvolvi muito lá dentro. Meu óvulo já me mostrava para que eu viria: inquieto, fez um ping pong no útero da minha mãe até conseguir se fixar em algum ponto. Me divertia com os espermatozóides do meu pai se cansando de esperar para entrar no meu óvulo, ou melhor, no que viria a ser eu.

Enquanto meus irmãos eram calmos, eu era inquieta. Se minha mãe estava fazendo ultrassom eu sentia aquele gelado que colocavam na barriga dela e o empurra-empurra do moça pressionando o aparelho contra nós. Queria me destacar no visor, me remexia de todas as formas. Queria impressionar, queria chamar a atenção, queria ser uma estrela. Me perguntava se na minúscula salinha haveria um olheiro para me levar para a Broadway. Ué, nunca se sabe.

Chegou o grande dia, o útero apertava a gente de todas as formas. Tínhamos feito fila para nascer. Éramos organizados dentro da barriga de mamãe. Eu tentava acalmar todos e dizer que íamos passar por um momento dificil, mas que seria glorioso ver a luz.

Saí. Fiquei cega e com falta de ar. Uma mão me pegou e me levou diretamente para a minha mãe. Ela se encarregou de me dar umas boas lambidas, e, foi dessa forma, que fui recebida no mundo.

Gulosa, queria a maior teta para mim. Arteira, enquanto todos estavam quietos, eu choramingava, latia, querendo chamar a atenção e brincar. Meus irmãos eram introspectivo. Acho que era para manter a elegância da raça. Mal eles sabiam que eu era um patinho feio, uma genérica da raça, uma Shih Tzu selvagem. Disciplina para que? Lacinhos? Pompons? Medo de chuva? Queria mais era me lambuzar. Correr na chuva. Me esfregar no barro. Mas para isso eu precisava de um lar?

A cada visita ao berçario, era apertada daqui e dali por estranhos e esquisitos. As pessoas se entusiasmavam, diziam: “Que Bonitinho!”, “Que Fofinho!” e depois deixavam-nos no berço e discutiam cifras. Um a um, meus irmãos foram embora. Até que um dia recebemos uma visita inesperada. Era um domingo chuvoso e frio. O telefone na casa estava agitado desde cedo. Minhas pseudo donas estavam inquietas. De repente uma delas saiu e voltou com uma moça e simpática que vestia um casaco rosa.

A cachorrada latia prevendo o meu dia de festa. A moça se aproximou do berçario. As pseudo donas queriam “empurrar” os meus irmãos. Mas a moça era tinhosa, viu que eu era a desunida do grupo, viu que eu tinha personalidade. Não titubeou muito, apontou para mim e disse: “Eu quero aquela.” – disse isso como quem pede um quilo de presunto, como quem escolhe um sonho na padaria. Senti um frio na espinha. Uma das moças me pegou para que a mulher de rosa me examinasse – como se precisasse, né? Eu era perfeitinha. Bem, ela me pegou no colo meio sem jeito. Tirou inúmeras fotos. Combinou cifras e o dia da minha entrega. Sim, agora eu tinha dona. E a minha dona era aquela simpática criatura de rosa.

** Não perca, na próxima semana conheça como fui recebida no meu novo lar.

terça-feira, outubro 02, 2007

Página em branco

Nada como uma página em branco para a gente brincar. Escrever o que pensa e como quer. Nada como uma página em branco para a gente escrever coisas da vida. Nada como uma página em branco para traçar metas e planos. Nada como uma página em branco para desenhar. Nada como uma página em branco para sonhar. Nada como uma página em branco para deixar os dedos confusos e não saber o que teclar. Nada como uma página em branco para fazer um rabisco e ver no que vai dar... Nada como uma página em branco para começar a escrever uma história.. vida nova... Nada como uma página em branco para esquecer o passado e ver que a vida está aí, passando pela página, pelas palavras, pelas letras.... Nada como uma página em branco para curtir, devanear e viajar... Nada como uma página em branco para brincar com as palavras... Nada como uma página em branco para voar no pensamento....