
domingo, janeiro 17, 2010
PROTESTO!

sexta-feira, janeiro 15, 2010
Ressalvas
O voo de Pedrinho
O sol já se despedia. Pedrinho pulava de galho em galho, fazendo um reconhecimento do terreno. Não sei se procurava por comida ou por um abrigo, não sei se estava perdido ou se estava ali por brincadeira. Onde estaria seu bando?
Parecia estar se divertindo naquele arbusto-labirinto de galhos secos e retorcidos. Esbanjava simpatia. Tanta simpatia atraiu os olhares de Tobias, (o gato forasteiro). Tobias sentou-se em posição privilegiada e olhava atentamente ao balé do pequeno alado, fazendo movimentos sinuosos com o rabo, como quem aplaudisse.
Não, se Pedrinho tivesse que brincar com alguém, seria comigo e não com ele. Eu o vi primeiro. Tobias chegou mais perto, mais perto, mais perto e de repente deu um bote. Jogou Pedrinho no chão.Que brincadeira mais bruta, pensei. Corri para acudir meu mais novo amigo. Quem Tobias pensa que é?
Corri, parti para cima do gato forasteiro, rolamos como naquelas cenas de desenho animado, que sai aquela fumaça. Depois de joga-lo no chão, me pus rapidamente em posição de "quem manda aqui sou eu"... Empinei-me toda e enfurecida dei umas boas latidas, mandando-o embora e ameaçando-o de risco de vida. Fui acudir Pedrinho, virei-me e quando vi, ele já não estava mais lá. Olhei para o céu, ele já tinha alçado voo e sumia no horizonte.
Para onde iria? Sobreviveria? Tão pequeno e indefeso. Onde estaria sua mãe? Onde dormiria? O que comeria? Onde estaria ele agora? Voltaria amanhã?
Meu papai é noel
Mamãe pode mentir para todo mundo. Contar o potoca que quiser. Mas para mim, não cola. Tenho uma espécie de sétimo sentido canino: o meu super mega ultra faro.
Ontem ela ficou aqui tecendo várias teorias da conspiração. Ligava para um, para outro e fazia um teatrinho na frente da minha avó e da minha tia. E eu só ouvindo. Até cheguei a acreditar. Até fingi que acreditei.
Hoje cedo, ela saiu de casa, lépida e fagueira, cheirosa, com um vestido verde soltinho e disse que ia para o Rio. Só voltou a noite dizendo que tinha ido ao cinema, que tinha encontrado uns tios meus e um bla bla bla para cego ver.
Não, eu sei, mamãe não foi ao cinema. Aquele cheiro não era de cinema. Aquele cheirinho era do meu pai. A levei para cozinha, tentei intimidá-la com os meus olhares, estilo: "Eu sei o que você foi fazer, mamãe". Fiquei lá apurando o faro de cada centímetro do vestido dela. Não resta mais dúvidas: Ela foi ver papai! Que alegria! Adoro meu pai! Morro de saudade!
Mamãe me pegou no colo. Ela sabia que eu sabia. Eu estava descontrolada. Abanando o rabo e cheirando o pé dela. Pedindo colo. Emaranhei-me nos cabelos dela. Fiquei só curtindo o cheirinho dele. E até que fiquei alegre com a possível volta dele. Mas ela já foi explicando:
- Lilynha, mamãe foi ver papai. Ele está dodói do joelho e não pode andar. Mas ele disse que assim que puder pisar vem aqui e vai trazer Biscrok para você!
Não podia acreditar. Era mentira dela. Ele estava lá no quarto me esperando chegar... Anda mamãe, vamos subir, venha mamãe. "Papai, estou indo!", gritava... Mas a mamãe não saia do lugar, ficava conversando, jogada no sofá sem nenhum interesse no papai, que estava lá em cima sozinho.
Até que, depois de longas horas de espera, ela deu o famoso "Boa Noite" e lá fui eu despinguelada degraus acima. Mamãe até estranhou o fato, porque geralmente eu faço doce e nunca vou na primeira subida. Ela tem que descer e me levar de colo.
Só que dessa vez eu já estava na porta esperando por ela. Ela abriu a porta. Acendeu a luz. E, o quarto estava vazio.... Papai não estava lá... só me restou dormir aninhada no vestido da mamãe e sonhar com papai. Ao acordar, ganharia um presente?
Promessas para o ano que entra
2010 chegou....

Menino Jesus nasceu. Os sinos pequeninos de Belém já tocaram. Papai Noel já nos visitou. E agora: sufoco, medo, terrorismo. Fogos e mais fogos. Não aguento. Tenho medo. Quero me enfiar em qualquer canto. Qualquer lugar que me ofereça segurança: o armário de panelas da cozinha, embaixo da mesa, embaixo da casa da vovó, no colo da mamãe. Será que não se tem um meio menos doloroso para dar entrada em um novo ano? Papocos para lá, papocos para cá, isso deveria assustar o próximo ano. Mas, 2010 não ficou timido com a barulheira e chegou!
Enfim, um ano novinho em folha. Calendário sem rabiscos, meses definidos e dias interrogativos. A grande mídia já se posiciona para o próximo evento do ano: Carnaval. Mal virou primeiro de janeiro: promoções e campanhas publicitárias com foco no carnaval invadem os panfletos promocionais dos jornais, a grade da televisão e os pop-up virtuais.
Mal virou primeiro de janeiro: tragédias. Angra dos Reis que o diga. E agora o Haiti. É, realmente, janeiro seria um ótimo mês para aquecer o forno das pizzas políticas, uma vez que a atenção está voltada para as tragédias.
Se não fossem essas forças da natureza. Com certeza eu seria manchete de jornal: minha chance de virar pop-star. Em várias revistas estaria o meu nome: Lily.(e faço aqui uma solitação de grafia é Lily e não Lili). Na televisão, matérias, participações em novelas e até o meu próprio reality show. (Outra solitação de pronuncia é LI-ly e não Lili, percebem que tem um peso?) E, por favor, sem closes ousados.
Será que fariam uma réplica minha em pelúcia? Quem sabe a Royal Canin não me contrataria como "garota" propaganda da empresa desbancando aqueles labradores de pelo dourado? Tantos sonhos para este ano que entra. Se pudesse escolher uma palavrinha para este tal de 2010 seria: r e a l i z a ç ã o. E eu vou me realizar através de vocês. Um Feliz 2010 para todos nós! Tin Tin!
