
Querido Papai Noel,
A casa já está enfeitada para o Natal. Vovó decorou a lareira e montou a árvore com aquelas bolas vermelhas enormes. À noite, quando todos se recolhem, me deito no tapete da sala e fico vendo os pequenos pontos de luz se alternarem. Fico fascinada. Desde pequena mamãe me ensinou que quando a casa está decorada é hora de escrever para o senhor.
Primeiramente, gostaria de agradecer a bolinha verde de borracha do ano passado. O senhor acertou em cheio, adoro bolinhas. Aproveito para agradecer também pelo Floc, ele é um bom menino, só um pouco desligado, para não dizer mal agradecido. Tudo bem que ele conseguiu destruir o meu presente e o dele em três dias. Mas o que vale é a intenção. Mais uma vez, agradeço por nós dois.
Acho que este ano eu fui uma menina muito bem comportada. Tudo bem, fiz xixi algumas vezes no cantinho da sala e o “número dois” na porta de saída, mas já vou logo avisando que foi por falta de opção. Eu queria chegar no meu banheirinho ao ar livre, mas a porta estava fechada e eu, apertada. É, também lati um pouco demais da conta no horário que a vovó descansa. Ela ficou zangada, mas já me desculpou.
Também fiz outra coisa feia: briguei com um gato que cismou que vai morar aqui, e, de fato, está morando aqui, numa caixinha em cima da mesa, do lado de fora da cozinha. Ah, Papai Noel, vou me defender novamente: o gato invade o meu território e eu faço nada? Não fazer coisa alguma é como assinar um atestado de inutilidade nesse mundo. Mas, perdi a briga, fui parar no veterinário, quase fiquei cega de um olho. Esse gato que foi o menino mau da história, eu, se fosse o senhor, cortaria ele da lista. Longe de mim querer influenciar qualquer decisão, mas só para constar, ele se chama Tobias.
É, acho que não fui tão boa assim. Vou deixar que o senhor analise e veja se eu mereço ganhar um presente neste Natal. É, estou lembrando de mais coisas terríveis: eu sou má com o Floc, roubo o pão que ele ganha, se ele tentar me intimidar , brigo com ele. Falo grosso e o coloco no lugar dele. Sinceramente, Papai Noel, não estou merecendo muita coisa não. No entanto, se o senhor me der uma chance, pode ser pequena, eu me esforço para até o Natal me redimir com o Floc, com o gato forasteiro, ficar em dia com as minhas necessidades no banheirinho ao ar livre, faço voto de silêncio e farei apenas uma refeição por dia. Ah, e prometo não fazer estardalhaço quando o senhor descer pela lareira. Será que sou digna de pelo menos um ossinho colorido? Ou um daqueles brinquedos que fazem fiu fiu?
Aguardarei ansiosamente a sua visita, Papai Noel,
Um beijo
Lily

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