Brum Brum Brum.. é o barulho do carro da mamãe chegando. O que será que ela traria da rua para mim ? Gosto quando ela sai do carro cheia de sacolas. Adoro fuçar as novidades. Não me controlo. Saio como uma louca em direção ao carro. Todos gritam achando que eu vou cometer suicídio. Não faria isso. Amo a minha vida. Amo receber mamãe no carro. Já o Floc se atira mesmo na frente do carro. Ele faz jus àquele ditado que diz que todo pequeno é abusado, seja cachorro ou gente. O suicida vai em direção o carro, mamãe tem que parar no meio do caminho, colocá-lo para dentro e depois prosseguir até a garagem. Quanto a mim tenho medo de entrar no carro. Carros me lembram banho, veterinário, coisas não muito agradáveis. Prefiro ficar de fora.
Ventuinha acionada, carro desligado, porta aberta, hora de ir receber mamãe. Coloco as patinhas na porta, mas não entro, só sinto o cheiro da rua. Humm, um cheiro familiar, hum, o nome agora me foge, sim, era o meu papa, mamãe tinha ido a Pet comprar a nossa ração. Era um pacote enorme, nunca tinha visto um pacote tão grande, li na embalagem que era de 7,5 kg! Uau! Minha ceia de natal está completa! É, Floc, este ano nos damos bem!
Será que isso é para tentar me comprar? Para fazer com que eu não tente roubar umas fatias de tender, como no Ano Novo passado. Abro um parênteses para dizer que foi absolutamente T E N T A D O R! O pessoal ocupado vendo aqueles barulhos fatais para o ouvido de qualquer cão – SIM, vendo barulhos, gostaram da minha definição para o ato de ver fogos de artifícios? – Enfim, enquanto eles estavam lá num clima romântico, aquele negócio de primeiro beijinho do ano para cá, para lá, fui lá e resolvi ceiar algumas fatias de tender. Que mal há nisso? E, com certeza, não será esse saco de ração, que diga-se de passagem que eu como o ano inteiro, que vai me impedir de furtar mais algumas fatias esse ano. (Papai Noel, não leia essa parte, tá?)
Mamãe reúne algumas coisas na mão, se estica toda para alcançar as sacolas no banco de trás – a lei do menor esforço de sair do carro e abrir a porta de trás. Muitas sacolas, deixe-me ver, uma da Lojas Americanas, outras da Casa e Vídeo, outra de uma loja de roupas íntimas, outra da farmácia e um saco plástico preto sem significado. Depois de duas horas, ela sai do carro parecendo a Julia Roberts no filme “Uma Linda Mulher”.
Repito: Adoro fuçar as sacolas de compra. E mamãe entende esse meu lado, é como se fosse um ritual mãe e filha. Ela se senta na cama, eu subo e começamos a abrir as sacolas.. E ela me apresenta a tudo: isso aqui é da mamãe (em outra palavras, Lily, mantenha seus dentinhos longe da minha escova de dente nova).. e assim me são apresentados: fio dental, escova de dente, sabonete, revistas de viagem, livros, garrafas de vinho, resumindo, tudo que o dinheiro compra. Até que para minha surpresa, o saquinho preto e insosso foi aberto, e pasmem, ela disse a frase: isso aqui é da Lily, uma bolinha colorida com um Guizo dentro... agora esse aqui é do Floc, um ossinho com fio dental. Ganhamos presente! Mas ainda aguardo o seu, Papai Noel. Lembre-se garota comportada! ;)

Nenhum comentário:
Postar um comentário