
Uma lua que mais parecia sol, no céu negro e cintilante de estrelas. Certeza que o dia seguinte seria daqueles: azulão, sem nuvens e um sol radiante. Praia. Piscina. Passeio ao ar livre. Calor. Sorvete, ou melhor gelo. Humm.. Tudo de bom! (Já contei para vocês a minha tara por gelo?)
Da varanda do quarto da minha avó, tia Jahder olhava aquele cenário de filme. Num primeiro momento achei que estivesse contemplando as estrelas. Mas depois ela começou a se lamentar como que numa prece: "muda tempo, muda tempo, entra frente fria, a porta está aberta, estrelas se apaguem, lua se cale, vamos, vamos mude tudo". Recitou mantras, fez dança da chuva, se jogou no chão, conversou, implorou, chorou. Não entendia o porquê de tanta praga para que o dia nascesse moribundo, chuvoso, sem um palmo de visibilidade. Um lado bom disso tudo, pelo menos formariam poças pelo jardim.
A resposta para tanto desespero estava num tal de peeling, um recurso de beleza para retirar células mortas e afins. Em outras palavras, você vai à praia e pega um sol daqueles, sem protetor solar e fica descascando, certo? Só que no caso dela, ela nem precisou pisar na areia, nem ver o sol. Passaram nos braços e nas pernas dela uma mistura com ácidos, deixaram até queimar e depois ela ficou trocando de pele por dias a fio. Só que nesse processo o sol não pode nem chegar perto. Daí o questionamento: "Como eu vou colocar uma blusa de manga curta? No calor do Rio terei que usar calças! Ah, meu vestido novo, não vou poder usar tão cedo." Os lamentos eram tantos que no final das contas fiz a dança da chuva, conversei com a lua e pedi para o tempo mudar também! Um dia de chuva não seria nada mal, hein? Muda tempo, muda...

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